sexta-feira, 25 de março de 2016

Nenhum lado dói menos, acredite. (Os dois lados do amor)


Por Suelen de Alencar 



Não é nada fácil escrever sobre filme de amor. Eu sei todo mundo pensa ao contrário, até porque logo surge a pergunta: Porque seria tão complicado escrever sobre algo tão lindo? Pode não parecer, mas o amor não tem um lado só e se você ainda não encontrou o seu, por favor, se prepare para uma onda muito maior e conturbada da qual você imagina.

Mas acalme-se, não se assuste o amor é compreensível. Portanto sem rodeios o filme “O dois lados do amor” não é comédia romântica com enredo já definido, apesar da obra ser estadunidense.
Assistir filme americano com foto de capa sendo um casal e um nome sugestivo, já me lembra dos traumas de muitos filminhos de péssimo gosto. Aqueles com meninas mimadas em busca de um galã jogador de lacrosse. Claro já me intoxiquei de lixo moderninho, e não nego às vezes me vejo “encantadinha” e dando muita rizada dessas obras “primas”. 

A obra de Ned Benson tem mais a oferecer e não funciona como um daqueles desastres clichê. Tem algo da ideologia vegana, se para alguns essa filosofia não faz sentido, para outros, ou melhor, para Connor Ludlow, personagem de James McAvoy é uma saída. Para ele o sofrimento dele é tão dolorido quanto de Eleonor. 
Uma história sobre lado, onde recomeçar não uma opção e sim uma necessidade.  Necessidade que de fácil não tem nada. 

“Só tem um coração nesse corpo... tenha pena de mim”.

Com um drama excludente para a felicidade, por garantia tem-se o aprendizado. Os diálogos aleatórios têm significados pesados e carrega um suspense já definido que Eleonor e Connor são obrigados a esconder.
Na sinopse tem: Nova York, Estados Unidos. Connor Ludlow (James McAvoy) e Eleanor Rigby (Jessica Chastain) são casados, mas a incurável dor de um trágico acontecimento a faz deixar repentinamente o marido e a vida que levava até então. Enquanto ela tenta recomeçar e busca novos interesses, ele tenta reencontrar o amor desaparecido e entender o que de fato aconteceu.
Quem conhece meus textos sabe que faço sempre um paralelo com músicas, isso significa que nem sempre faz parte da trilha. E para essa obra uma música que se identifica com o enredo é a composição de Danni Carlos, na melodia de “Coisas que eu sei”. (essas comparações e inserções é uma particularidade minha). Ao pesquisar sobre o filme aprende-se muito, até mesmo sobre os Beatles. Por exemplo, “o nome do filme é baseado em “Eleanor Rigby”, uma canção da banda inglesa, The Beatles”.
Se os romances são previsíveis, com The Disappearance Of Eleanor Rigby: Them (titulo original) não acontece assim. Ao assistir a obra surgi já se perguntou por que amamos uma pessoa específica? E não há resposta, acredite.
O amor é um campo de batalha com uma singularidade inexplicável. O tempo todo eu fico com sensação de que uma tragédia, além das duas que já ocorrem no filme, pode acontecer. Relacionamentos em filmes existem de monte, mas nenhum com o peso de Connor e Eleonor. Relacionamentos podem ser alegria, mas o fim é droga que todos recusam.  

A proposta chama atenção e surpreende mais pelo enredo pesado do que pelo “plot” de romance. Tudo tem dois lados, se por egoísmo ou não, o que prevalece são os olhos de Eleonor. Sua fragilidade pessoal ao mesmo tempo em que encanta, se mostra cruel ao sofrimento de Connor que se mantém insistentemente na busca pelo passado que morreu.  O projeto foi filmado em duas partes que interpretava os dois pontos de vista. Estreou em 2013 no Festival de Toronto e depois da estreia, o diretor e roteirista Ned Benson transformou um único longa. Os três  filmes “The Disappearance Of Eleanor Rigby: Him”, “The Disappearance Of Eleanor Rigby: Her”  e “The Disappearance Of Eleanor Rigby: Them” receberam uma versão teatral.

É um filme humanista. O ser humano na busca de suas necessidades e isso não se resumem em quartos de luz baixa e música ambiente, a dor é maior. E por que será que “O dois lados do amor” (titulo brasileiro) é mais que uma comedia romântica?
Porque descreve a vida, a morte e a luta de encontrar algum sentido pra tudo, ou pelo menos tentar viver e conviver com as aflições. Mesmo que tentamos é pré-definido que todo ser que respira e tem sentimentos, sinta o ônus e bônus de tudo. 

Planos de câmera, cenas com tom frio e pastel que combina com o drama. Uma verdadeira aula de planos de imagens cinematográfica. A fotografia do filme apresenta uma Nova York que ninguém não vê, bem longe da “Times square”. 
Li uma crítica sobre o filme onde o escritor descreve que Eleonor e Connor representa um “casal de verdade”, concordo. No seu nobre texto descreve também que é um casal de alegria e tristeza, de “sorrisos e choros”, idem. 
Uma obra para ser sentida. E por ela aprender que “o que os olhos não vê o coração sente”. 


terça-feira, 15 de março de 2016

Woody Allen com magia e sem mágica, um truque que dá certo.

A sinopse não impressiona, já sabemos disso:

Sinopse: Stanley (Colin Firth), um falso mágico com talento para desmascarar charlatões, é contratado para acabar com a suposta farsa de Sophie (Emma Stone), simpática jovem que afirma ser médium. Inicialmente cético, ele aos poucos começa a duvidar de suas certezas e se vê cada vez mais encantado pela moça. *

O que seria de nós meros mortais se avaliássemos um filme por sua sinopse? seriamos o mesmo espectador de sempre, sem uma pitada de crítica. Os famintos por efeitos especiais e as edições de aniversários, sugaria nosso tempo de lazer. Por favor não refaçam Freddy x Jason! A sétima arte agradece.
Vamos falar de obras cinematográficas, não de filmes. Alias temos que saber essa diferença, ok?

Um filme só conta uma história. Uma obra interpreta ações, diálogos, sonoras, sentidos, desejos enfim há muito de se conotar. Magia ao luar é escrito e dirigido por ninguém menos polêmico que Woody Allen. E dessa vez não posso dizer que conheço quaisquer escrito sobre esse filme pois eu encontrei nas minhas caçadas noturnas pelo aplicativo Tele cine Play. (acredite não é merchandising)

A acredito fielmente que não foi coincidência. Assumo e não nego a minha imensa admiração pelo trabalho artístico de Allen. Inclusive posso indicar sem nenhum medo qualquer obra que ele já escreveu, seja para o teatro, o cinema ou para a TV. 
Vida  particular e conturbada a parte, Woddy deixa seu talento em tudo que faz e arrisco a dizer que todo mundo tem um pouco da ousadia Allan Stewart Königsberg. (Eu sei ninguém conhece o nome dele verdadeiro).

Mas vamos a obra:

Temos Stanley e Sophie como personagens principais e é por eles que o enredo se constroem. Lançado em 2014 o filme ( agora posso citar ) não é de grandes espectadores e nem de bilheterias estrondosas, aqui no Brasil a produção da imagens filmes chegou  a conquistar 222.004 ingressos. Mas tem muito a ensinar. 
Magia ao luar além de conter um humor singular e sem apelos apresenta uma suavidade que impressiona. Em pleno século XXI imagina fazer uma obra da sétima arte sem as dimensões 3Ds? É
um desafio, até para o apaixonado por musas. 

Li algumas crítica quanto a produção deste filme, mas repito o que disse no começo do texto - Não pertence a espectadores comum. Não é um filme para passar tempo, nem para dizer  aos seus amigos apaixonado por sagas e serie. (detalhe eu adoro sagas, series então nem pense que isso é descriminação por filminhos populares).

E o que será que Magia ao luar ensina além de contar uma historia de amor sem amasso? Isso mesmo se você está a procura de um luar quente, esqueça. A obra tem uma representativa mais culta, ao assistir as manobras de Stanley em desvendar a suposta falcatrua de Sophie descobrimos como  a mentira pode mudar o rumo das coisas. Sim, Woody mais uma vez representa a mentira nas suas obras, claro que não chega na representação de adultérios ( obra escrita para o teatro). No entanto é nesse ar de anos 20  e na trilha de Leo Reisman & His Orchestra - "You Do Something To Me" & "You've Got That Thing" que se nota a puberdade do ato de mentir. 

E olha que essa trilha a "lá antigos" não inspira nem um pouco do efeito de mentir; engano, falsidade, fraude**.

Pode parecer "bonitinho" em conto de amor, mas a mentira já fez estragos tremendo a humanidade e é por ela que se destruiu muitas coisas. Tem muita gente que diz e historiador que defende que Troia, Roma, os capuletos e até mesmo os clã dos Cullen foram destruídos por mulheres. Helena, Julieta ou Bela, parem de culpar as "coitadas". Posso até concordar em partes, mas afirmo também que foi pela mentira.

Tenho argumentos acreditem: 
Helena fugiu para Tróia com seu amor Páris, mas quem convenceu Aquiles a ir a guerra foi Agamemnon com sua mentira e desencadeou célebre Guerra de Troia. E foi a mentira de acreditar em Deuses que o Rei Príamo levou o cavalo para dentro da cidade lendária. Enfim, pela mentira já morreram muitos. Ta certo a obra nem é densa a ponto de ser comparada a Tróia ou corações de ferros ( filme com Brad Pitt) ou até mesmo com as tragédias das  famílias em Verona. Mas nem querer aumentar  Sophie lida com sentimentos das pessoas, brinca com verdade individuais o enredo não aprofunda nisso mas vejamos por um lado mais detalhista, o que fazer com a grande mentira contada a família Catledge? Mentir na Frnaça é caso grave e muitas vezes o exilo é pouco para um povo que onde "a lei surge principalmente a partir de estatutos escritos".

Ok, é isso. Sobre a produção vale lembrar que segundo informações pesquisadas o filme é um volta de Allen a França, depois de dois anos. A ultima vez que esteve lá foi na produção do filme  Meia noite em Paris. Woddy além gosta de musa, como já dito e a da vez é Emma Stone. ( que parece já estar confirmada para sua próxima produção).
Em termos técnicos pode-se dizer que a iluminação da obra cabe ao perfil contado pelo roteiro e enredo espetacular. ( eu tentei, mas não dá para elogiar obras Allen). Viciado em  gravar filmes coma a proporção de tela é 2.35:1, o diretor não perde a mania de utilizar o plano dos anos 50, o processo  é caro e "necessita de equipamento especial tanto na filmagem quanto na projeção". Nem adentrarei, técnica não é meu forte.

 Que Woddy possa continuar nos presentando.

xoxo,








domingo, 24 de janeiro de 2016

É preciso entender que a inocência não nos livra de não sermos confiáveis - Garotas inocentes

Garotas inocentes definitivamente não é um filme sobre inocência. Nem um daqueles plot’s prontos de meninas querendo descobrir seus corpos. O drama, se é que posso definir assim, é “apenas” uma boa forma de demostrar que não estamos prontos para ver o outro lado.
A história conta o pacto de duas amigas em perderem virgindade depois do final das aulas, com essa descrição logo se imagina um filme voltado à descoberta dos segredos dos corpos de meninas adolescentes. Mas siga em frente nas cenas, posso garanti-lhes que não há nenhum segredo na história do filme. Alias coloco minha conta em risco em afirmar que o drama ali presente nos lembrar de cenas do nosso próprio cotidiano. E cá entre nós, todos têm seus dramas.
O que me perguntei durante filme, além de questionar a atuação de Dakota Fanning que já fez papéis melhores, foi porque não podemos entender o outro lado? A resposta é simples quando se sofrer um golpe, ou melhor, uma traição há mais espaço para o sofrimento do que para a análise da situação. E é compreensível, até porque atirar pedra em cachorro morto é cruel.
As duas amigas se apaixonam pelo mesmo rapaz. Um verbo envolvendo duas pessoas já é dramático, então imagine com três. Gerry se encanta por David, que se atrai por Lily que se envolve com David que recai com Gerry que é melhor amiga de Lily. Parece historia de filme adolescente, ou sobre amor “crespulano”? Mas não é, está ai não podemos definir um filme por sua sinopse. (um bom aprendizado)
O filme mostra muitas traições, mas o importante ali é o direito. O direito de ter ações certas ou não, mas também o direito de assumir o vem com essas ações. Quem escolhe por quem se apaixona? Ninguém tem esse poder. Não mintam pra si mesmo o sentimento é algo que nasce involuntariamente. O que se pode fazer é controlar as ações por causa desse sentimento. Chegamos a uma análise interessante e que as maiorias das pessoas esquecem a confiança.
Está implícita nas relações humanas, a confiança é algo que se busca diariamente. Questionamos se temos amigos, se o seu parceiro ou parceira é fiel, se seus filhos estão mentindo pra você, se seu chefe gosta mesmo de você. Todos se perguntam. Mas creio que poucos se perguntam se estão sendo a confiança de alguém.
Torci por um casal especifico no filme e a dramaturgia tem sempre a eficiência de me negar o gosto do contrário. Pode ser que a atuação de Fanning tenha influenciado nesse meu gosto de telespectador comum, pois a Lily não me convenceu com seu drama. É aquele velho ditado quem cobra deve pagar os honorários.
Nada justifica uma traição, “but” acredite ninguém está livre disso. E acredite o filme não é sobre traição, é sobre confiança.

Sobre a cinegrafia temos uma espetacular apresentação de NY sem aquele clichê de cidade corrida, a fotografia impressiona. A trilha na voz de Elizabeth merece destaque, ouçam "Razor Burn" e "Go Ahead". Mas confesso que lembrei muito da música de Fly Away From Here de Aerosmith, não que combine com o roteiro é mas uma particularidade minha de juntar música com filme.

Enfim, Garotas inocentes é um filme de roteiro simples com atuações boas e com uma mensagem esplêndida. Afinal, ele nos faz mudar a pergunta e já não basta saber em que podemos confiar, e sim , em quem pode confiar em você.

xoxo


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Nos falta os olhos das telas de Margaret

Amy Adams no personagem Margaret Keane
Um filme intrigante do começo ao fim, mesmo sendo baseado em uma história real nos deixa inquietos por saber que durante muito tempo enganou-se tanto pela arte. È compreensível a nossa revolta, mas nem tanto, pois em tempos tão pós-modernos com uma enorme corrente feminista aflorada por todos os modelos de artes, fica difícil se aquietar com a submissão de Margareth.
Mas tudo bem, hoje nós votamos, usamos blusa sem sutiã e até gostamos de mandar em homens. Grande evolução!

Para que não se perca nas teorias históricas sobre a caminhada da mulher no mundo da conquista pelo seu espaço, vamos resumir a pontuação sobe o filme desta semana. Aliás, precisamos voltar a alimentar o mundo web de assunto intelectos, já que ultimamente só vemos replicações, um estilo a lá Ctrl+c /Ctrl+v.(Ainda não me acostumei com isso).
Tela feita por Margaret inspirada em sua filha

Grandes olhos é um filme nem tão distante assim, reproduzido em 2014 conta a história real de uma artista dos anos 50. Reconhecida hoje por seus trabalhos de pintura em tela com características únicas. Os quadros pintados pela americana Margaret Keane exploravam a intensidade e emoção nos olhos dos personagens pincelados.
Dirigido e produzido por ninguém melhor que Tim Burton, o mínimo de se esperar é o inusitado. Quem não amou Edward mãos de tesouras nos anos 90, Ou ficou “pasmo“ com a animação em stop-motion de A noiva-cadáver, nos altos de 2005 não sabe apreciar o cinema “terror dramático” de Walter. Mas o que Burton quer nos contar é a briga do casal Keane, que termina em um cena cômica para provar quem realmente é o dono das telas "olhudas".  
cena  do filme

Big Eyes não só é uma produção que gastou pouco, como também representa uma ótima pedida para quem gosta de cinebiografia. Não longe do estilo exagerado e dramático de Burton, o filme fez o proposto da descrição da vida do casal Keane, na busca incessante de vender os quadros de um homem que mentia e se passava por um artista de muita falácia.
E se toda mentira tem perna curta, a mentira na arte e no contexto representado nos encanta não pelo propósito da farsa, mas sim, por toda luta de uma mulher em busca da sua própria essência.  Margaret, mãe solteira em uma época em que nem todas, alias, nenhuma de nós poderíamos ser bem vista senão tivéssemos aliança no dedo. Pois é. Pois é. Quanta evolução!

A trilha sonora digna de indicação ao globo de ouro é da cantora Lana Del Rey, com a música Big Eyes.
Costumava pensar que podia confiar em você
Eu era sua mulher
Você era meu cavaleiro, companheiro reluzente
Para a minha surpresa, a queda de meu amor
Foi sua própria ganância e fantasia


Filmes como este não deve ser interpretado como um carma de um passado estranho, onde inibia qualquer direito da mulher de ser ou de viver. Deve ser levado a sério diante de todas as singelas e doces proibições que esta e tantas e outras Margaret tiveram que viver. Sim, sei que ainda precisamos evoluir, nem sei se evoluir representa a minha interna vontade para as minhas parceiras de gênero. Mas vale reconhecer que em tempos onde temos uma presidente mulher, goste você ou não do governo, conseguimos dar grandes passos. (Não entenda esse exemplo como uma defesa política, porque não é).
Margaret ao lado de duas telas pinceladas por ela
Há controversas de tamanha evolução, a internet o meio tão tecnológico de vez em quando nos volta aos “tempos da caverna”, nem vamos tão longe, aos tempos antes das teorias de kinsey. Quantas mulheres condenando a “Fabiola” tiveram nos grupos de Whatsapp por ai? Não dá para distanciar do tempo, mulherada. Aprenderemos com outros filmes também, fiquem tranquilas. Nada melhor do que usar a sétima arte para refletir. Quem sabe em um próximo filme?

xoxo